(ou "Como Odete Reutmann Não Mudou Minha Vida")

Olhar despretencioso pela Janela Lateral da Maria Fumaça que serpenteia entre as belezas e falácias do cotidiano

maio 12, 2009

BRASIL! MOSTRA TUA CARA!

GAVETAS ABERTAS!

O passado recente do Brasil está recheado de histórias não contadas, personagens escusos, desaparecimentos, suicídios milagrosos, e tortura, muita tortura. Durante os vinte e quatro anos que se passaram desde o fim do regime militar em terras tupiniquins, o povo brasileiro – em especial parentes de vítimas e de desaparecidos – amargaram o ostracismo e o descaso por parte dos governantes em todos os escalões e segmentos. Porém, um importante passo em direção a alguma luz foi dado ontem, 11 de maio de 2009. Abaixo, trecho transcrito da notícia publicada no Estadão:

“O secretário nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, afirmou ontem em São Paulo que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, assinará amanhã uma portaria do Executivo que determina a entrega, sob pena de punições, de todo os arquivos da ditadura militar (1964-1985) ao governo. Os Estados ficarão encarregados da divulgação das informações”.

Evidentemente que a verdade inteira dos fatos jamais virá à tona, uma vez que documentos comprometedores foram incinerados por agentes da repressão, mas o que se espera é que algo de novo e esclarecedor saia dos fundos das gavetas e venha ao domínio público. A ministra Dilma Rousseff, que também foi vítima de covardes algozes nos porões do DOI-CODI, batalhou pessoalmente para que pudéssemos, com este acesso, conhecer parte de nossa própria história e os caminhos que, desde 1964, têm rumado a impunidade e o protecionismo aos fardados. Se desdobramentos práticos virão a partir daí é uma incógnita, mas espantarmos as traças das páginas empoeiradas de nosso passado sombrio é muito mais que a inércia. Deus permita que eu não morra antes de ver os “assassinos oficiais” presos por um governo de ex-“subversivos” e seus ícones, que hoje ocupam as confortáveis e merecidas cadeiras da presidência da República Federativa do Brasil e da Casa Civil.

maio 05, 2009

Cometa de ferro

Às vezes sente mãos invisíveis a afagar-lhe os escassos cabelos. Noutras, o rosto. Absorto em seus delírios e nirvanas, despreza invioláveis intenções, seus retiros mais íntimos, suas verdades universais. Deita seu peito nu sobre a grama expondo o dorso ao cuidado dos anjos. Fecha-se em seu âmago abrindo então o grande portal do inexato. Uma antimatéria, uma catarse atômica.

Sente como se fato fosse, estar vivo. Mas o fumo que emana do lado interno da câmara recém aberta causa-lhe um estupor, catapulta-o às regiões mais distantes do sistema razão solar de ser. Um rio das mais puras águas passa por ele, com ele, sobre ele, dentro dele. Leito e gota, nascente e foz, peixe, flor e algoz. Em suas inserções pelas frestas das janelas marginais, jamais conseguira pontuar-se em tempo e espaço, eixos e vetores. Apenas deixava levar-se e consigo levava tudo e todos. Sentia-se parte indivisível do fragmentado átomo, órbita de mundos. Levitava em círculos, caía em vórtices, superava-se em verticalidade ascendente, infinda, busca o cheiro do sol.

Um tiro. Sirene. Erro. Punhal.

As luzes coloridas aos poucos se esvaiam e os filhotes de cães e gente saíam de dentro de suas pupilas, abandonando-o só sob o arco da porta. E o escuro. E o parto. Um nascimento, como se pela primeira vez entrasse em seus pulmões o ar-mar que afoga a terra. O brotar de uma consciência de força e massa implica no morrer de uma supraconsciência de astros, nós e pós.

Desperta.

As lágrimas tornam-se inevitáveis, a pele fria, o corpo pesado, pois desperta. Os cabelos sujos, os olhos sensíveis, a dor aguda, porque desperta.

Na morte do beijo, ressurge o ser humano, um projétil, um laboratório espacial que é arrebatado do cosmos ao caos.

Skylab.



Skylab.




abril 27, 2009

'...ao léu..."

POLÍTICA é a ARTE de ESTUPRAR a ÉTICA

Frase que não disse no último debate sobre a influência da mídia no entendimento político do povo brasileiro.