Sente como se fato fosse, estar vivo. Mas o fumo que emana do lado interno da câmara recém aberta causa-lhe um estupor, catapulta-o às regiões mais distantes do sistema razão solar de ser. Um rio das mais puras águas passa por ele, com ele, sobre ele, dentro dele. Leito e gota, nascente e foz, peixe, flor e algoz. Em suas inserções pelas frestas das janelas marginais, jamais conseguira pontuar-se em tempo e espaço, eixos e vetores. Apenas deixava levar-se e consigo levava tudo e todos. Sentia-se parte indivisível do fragmentado átomo, órbita de mundos. Levitava em círculos, caía em vórtices, superava-se em verticalidade ascendente, infinda, busca o cheiro do sol.
Um tiro. Sirene. Erro. Punhal.
As luzes coloridas aos poucos se esvaiam e os filhotes de cães e gente saíam de dentro de suas pupilas, abandonando-o só sob o arco da porta. E o escuro. E o parto. Um nascimento, como se pela primeira vez entrasse em seus pulmões o ar-mar que afoga a terra. O brotar de uma consciência de força e massa implica no morrer de uma supraconsciência de astros, nós e pós.
Desperta.
As lágrimas tornam-se inevitáveis, a pele fria, o corpo pesado, pois desperta. Os cabelos sujos, os olhos sensíveis, a dor aguda, porque desperta.
Na morte do beijo, ressurge o ser humano, um projétil, um laboratório espacial que é arrebatado do cosmos ao caos.
Skylab.

Skylab.
Hum...
ResponderExcluirquem bom, tem gente escrevendo com mais frequência!!
Bjo, to na área!